Roubei? Não me lembro…: Alto quadro do BPN diz não ter memória
O ex-administrador do fundo do BPN envolvido no negócio do Porto Rico evocou falta de memória durante toda a sua audição no Parlamento. Tanto assim, que o CDS-PP admite pedir a sua acareação com Dias Loureiro.
A reunião de ontem da comissão parlamentare foi marcada pela audição de Francisco Comprido, ex-administrador do BPN e antigo presidente do fundo imobiliário no negócio de compra e venda da empresa de Porto Rico (Biometrics), que terá causado um buraco financeiro nas contas do BPN. Às perguntas dos deputados, Francisco Comprido respondeu amiúde com a frase: “Não me recordo”. A resposta causou estupefacção e indignação aos deputados, o que levou o socialista Ricardo Rodrigues a lembrar que “a recusa da não participação na comissão de inquérito, sem alegação de cumprimento de sigilo, é crime de desobediência qualificada”.
Mesmo depois da referência do deputado, Francisco Comprido reafirmou não se recordar a quem foi vendida a empresa do Porto Rico nem qual foi o valor pelo qual o fundo fez a transacção. Garantiu, no entanto, que o valor da venda não foi um euro, como está expresso no contrato formal, na posse da comissão parlamentar. Por isso, argumentou, “quem faz grandes negócios não se recorda dos bem sucedidos”. Argumentou ainda que “não houve mais-valias nem menos-valias” no negócio, que se iniciou com a compra da empresa por 35 milhões de dólares. Esta afirmação contraria a informação, que consta do processo que levou à nacionalização do BPN, segundo a qual o negócio contribuiu decisivamente para o buraco financeiro.
Perante a falta de memória do negócio de Porto Rico, alegada pelo ex-administrador, incómodo dos deputados era notório. Nuno Melo, do CDS-PP, admitiu mesmo vir a pedir a acareação de Francisco Comprido com Dias Loureiro, ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios.
Em carta enviada à presidente da comissão parlamentar de inquérito, Maria de Belém, a advogada de Luís Caprichoso, homem de confiança de Oliveira e Costa, fundamentou ontem a recusa de o seu constituinte colaborar com os deputados com o facto de aquele ser arguido em consequência de contra-ordenações emitidas pelos Banco de Portugal. A audição de Luís Caprichoso era aguardada com muita expectativa por parte dos deputados, uma vez que o nome do “braço-direito” de Oliveira e Costa foi diversas vezes citado por outros depoentes na comissão.
Fonte: Jornal de Notícias de 18.03.2008
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