Dedico este artigo à cegueira, surdez e mudez simultânea de certos homens: Manuel António Pina – À maneira de Darwin
Richard Dawkins fala da “mãe de todas as burcas” a propósito da pequeníssima fresta que a evolução proporcionou aos nossos olhos para verem o mundo. O nosso cérebro terá evoluído de modo a perceber, do espectro electromagnético e do mundo real, a infinitésima parte deles necessária aos nossos antepassados para sobreviverem.
Assim, a nossa “realidade” será um particular modelo do mundo real, construído de modo conveniente aos nossos particularíssimos interesses biológicos. Estou em crer que é a aptidão do dr. Vítor Constâncio para a sobrevivência que explica o modelo do mundo real que habitualmente preside às análises do Banco de Portugal, e que a optimista fresta através da qual costuma analisar as realidades económicas é a que melhor se adequa a conveniências políticas. Isto é, que o BP analisa (e, se calhar, supervisiona) fazendo política. Se não, como explicar o facto de, para o BP, a actividade económica em Portugal ter melhorado em Novembro, enquanto que, para o INE, teve um “abrandamento significativo”, com o indicador do clima económico a atingir mesmo o valor mais baixo desde 1989?
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